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Victor Faidiga
Victor Faidiga
Economista do departamento de Economia da ACIC.

O novo comportamento do consumidor

Se você tem um negócio ou trabalha para algumas marcas, sabe o quanto este clima de instabilidade política e econômica afeta a tomada de decisões - tanto de quem compra quanto de quem vende. Quando a situação fica meio nebulosa, é importante parar, entender as mudanças no comportamento do consumidor e ajustar sua estratégia para a nova realidade.

E o que muda na hora em que o brasileiro começa a economizar? Será que ele fecha de vez a carteira e passa a comprar apenas itens de primeira necessidade? Definitivamente não é essa a realidade.

Com a ascensão econômica da classe C, a sociedade brasileira passou por uma grande transformação e se tornou bem mais inclusiva. As pessoas começaram a ter acesso a novas tecnologias, produtos de maior qualidade, fazer viagens diferentes, viver experiências com mais conforto. O que vemos é que elas não estão dispostas a abrir mão disso tão fácil assim.

Quando a grana fica curta, em vez de deixar de consumir, as pessoas encontram maneiras mais inteligentes de comprar. Primeira opção é a comparação de preços daquele produto específico. Esse tipo de saída aumentou 60% nos últimos anos. A segunda opção é procurar por um produto usado em boas condições. Ou seja, abrir mão daquele mesmo produto novo. Isso aumentou 50% de 2014 para 2015.

Outra mudança interessante é a disposição do consumidor para colocar a mão na massa na hora de economizar com serviços. Será que é uma oportunidade que você está deixando passar? Será que não é a hora de criar uma marca de combate mais acessível até o consumidor recuperar seu poder de compra? Ou será que você deve ser mais ousado e tentar aproveitar a situação para alavancar sua marca mais barata.

Seja qual for sua resposta, saber como o consumidor está se virando para contornar a redução de seu poder de aquisitivo é essencial na hora de criar uma estratégia. A busca por receitas de restaurantes famosos aumentou 61% enquanto as buscas por instruções para se fazer produtos caseiras, como amaciantes de roupa, aumentou 72%.

Além de ser uma ótima ferramenta para planejar a melhor das compras, o ambiente digital também se transforma em um excelente meio para conseguir uma renda extra e bancar as necessidades de consumo. Um bom exemplo é o aumento no número de pessoas oferecendo acomodações pelo Airbnb. O número de hosts brasileiros aumentou 28% em 2015.

O aprendizado mais importante para empresas e marcas é saber que uma retração econômica não paralisa o consumidor, apenas o faz comprar de maneira menos impulsiva e mais consciente. A grande virada está em abraçar essas mudanças, e buscar profissionais e ferramentas para ajudá-lo a explorar essas novas possibilidades. Observando as tendências de comportamento do consumidor, você pode colocar sua marca onde ela precisa estar, como tem que estar e na hora certa para impactar seu público.


Victor Faidiga| Comportamento, Consumidor, ACIC, Campinas, ACICampinas, 2016, Coluna, Blob, Victor-Faidiga

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