Isolamento pode criar novas centralidades nas cidades
Equipe ACIC
Equipe ACIC
Tradicional instituição empresarial de Campinas, fundada em 1920 e com mais de 2.500 empresas associadas, a ACIC apoia o desenvolvimento das empresas por meio de seus 3 pilares para soluções empresariais: Redução de Custos, Oportunidades de Negócios e Educação Empreendedora.

Isolamento pode criar novas centralidades nas cidades

Além de conter a disseminação do novo coronavírus, o isolamento social pode ressignificar toda a dinâmica de uma cidade criando novos pontos comerciais e eliminando outros. Fonte: JORNAL DAS ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO

Os impactos da disseminação do novo coronavírus nos centros urbanos ainda estão sendo compreendidos, mas certamente devem deixar marcas estruturais. A história nos mostra que a relação entre cidades e doenças endêmicas costumam causar mudanças físicas e sociais permanentes.

Nos últimos meses, o isolamento social fez o número de deslocamentos cair vertiginosamente, praticamente zerando o trânsito das grandes cidades. Ruas e calçadões perderam quase que a totalidade de seus pedestres. O trabalho remoto ou home office se tornou a opção mais óbvia e viável para a maioria das atividades. E uma infinidade de pequenos negócios que dão vida aos centros urbanos foram fechados sem previsão de reabertura.

Além de conter a disseminação do novo coronavírus, esse movimento pode ressignificar toda a dinâmica de uma cidade, segundo Heliana Comin Vargas, professora titular da FAU-USP e coordenadora do LabCom.

Convidada pelo Conselho de Política Urbana (CPU), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), para discutir a relação entre comércio e consumo em meio à pandemia, a especialista diz que alterações na organização espacial das cidades, como as que vêm ocorrendo desde o início da quarentena, são responsáveis pelo surgimento de novas centralidades.

Em um resgate histórico, Heliana destacou que a construção e evolução das cidades está diretamente ligada ao desenvolvimento comercial de cada uma delas. Seja para servir quem a habita ou para quem a visita, os comerciantes são também transmissores de informação, conhecimento e responsáveis por evoluções, como a do escambo ao bitcoin.

“Tínhamos aqueles comerciantes que viajavam levando, além de suas mercadorias, muita informação a novos lugares, um movimento muito parecido aos empresários que hoje embarcam em novas tecnologias e nos trazem novidades o tempo todo”, diz.

Com o comportamento sendo ditado pelo “novo normal”, especula-se o quê pautará os hábitos de consumo de quem vive em grandes centros urbanos, como São Paulo. Os consumidores se deslocarão em massa para fazer compras na 25 de Março? O que o mercado imobiliário levará em consideração para delimitar a localização de seus futuros lançamentos com a popularização do home office? As vendas on-line são um caminho sem volta?

Todos esses fatores beneficiam o consumo de conveniência em polos comerciais caracterizados pela proximidade da casa, que nos últimos meses vem sendo também o endereço de trabalho das pessoas.

De acordo com Heliana, a localização de determinados grupos e empresas acabam redefinindo uma nova dinâmica de concentração e descentralização dentro das cidades. Dessa forma, comércio e serviços seguem o rastro dessa demanda e acabam criando novas centralidades.

Na opinião da especialista, ruas de comércio especializado, por exemplo, como a Oscar Freire e a Florêncio de Abreu, estão sujeitas a perder uma fatia do público que costumavam receber, pois para muitos, o comércio eletrônico seguirá suprindo essa demanda.

Ainda assim, não é possível dizer que as lojas de rua perderão força. Enquanto as compras por necessidade foram atendidas pelo comércio eletrônico, aquelas que fazemos por prazer devem ser retomadas, quando o comércio for totalmente aberto. Isso explica, por exemplo, a aglomeração registrada na reabertura de alguns bares e as filas geradas por shoppings que voltaram a funcionar, segundo Heliana.

“O fato de não podermos ir às compras nos impactou profundamente. É um grande desafio prever o que vai acontecer após a pandemia”.

FOTO: Rovena Rosa/ Agência Brasil


Equipe ACIC|

Pode lhe interessar


Colunistas


Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto

Posts recentes


Assuntos relacionados