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Jarib B D Fogaça
Jarib B D Fogaça
Diretor Adjunto na ACIC, sócio na JFogaça Assessoria e conselheiro independente.

Um novo pico se avizinha

A palavra “pico” já nos atemoriza só de mencioná-la. De imediato pensamos naquilo que mais nos preocupa atualmente, a pandemia desse vírus solto e contaminando a todos, todo o tempo. Mas tal como na área da saúde, na economia também temos picos negativos e positivos.

Nesse sentido, conforme tivemos em 2020 o pico negativo da pandemia e contaminação, também tivemos um outro pico, dos IPOs. Ou seja, da abertura de capital das empresas na Bolsa de Valores, o que não pode passar despercebido. Exceto por 2007 que foi o real pico nestes últimos 15 anos, 2020 já está em 2º lugar com 28 IPOs puros, sem considerar os chamados follow-on.

Um IPO puro é aquele da 1ª vez em que uma empresa é listada na Bolsa de Valores e faz uma captação financeira tanto para os investidores anteriores que estão vendendo, bem como parte da captação vai para o caixa da empresa. Em 2007, o valor dos IPOs foi de R$55,6 bilhões com 64 casos e, em 2020, o valor foi de R$43,7 bilhões, com apenas 28 aberturas de capital. Há muito dinheiro e oportunidade no mercado, mesmo com a pandemia.

No livro “Por que as nações fracassam”, os autores discutem amplamente as naturezas econômicas de vários países e suas respectivas instituições, bem como abordam as questões associadas às condições necessárias para o desenvolvimento sustentável, que vai muito além do meramente ESG (Environmental, Social and Governance), tanto em pauta atualmente. O papel decisivo para o desenvolvimento dos países, segundo os autores, é desempenhado pelas instituições - um conjunto de regras formais e informais e mecanismos para levar os indivíduos a cumprirem essas regras existentes na sociedade.

O mercado de capitais, a Bolsa de Valores e as companhias abertas com suas ações (valores mobiliários) à disposição para comprarmos ou vendermos, desempenham um desses papéis institucionais. Uma empresa vale na Bolsa de Valores aquilo que o mercado atribui a ela e esse valor deriva de uma série de fatores também postulados por esse mercado, tais como oportunidade de crescimento e expansão, entre vários.

Os autores também comentam que a capacidade das instituições econômicas de explorarem o potencial dos mercados inclusivos, estimular a inovação tecnológica, investir em pessoas e mobilizar os talentos e competências de grande número de indivíduos é fundamental para o crescimento econômico. Novamente, o que vemos aqui é que o mercado de capitais e as aberturas de capital pelas empresas se tornam um veículo para que essas empresas contribuam de forma concreta para o crescimento econômico.

 

Se levarmos em conta os últimos 10 anos (até 2019), cumulativamente os IPOs puros captaram um valor acumulado de pouco mais de R$78,7 bilhões. Já em 2020, em meio a pandemia, em apenas 1 ano foram captados R$43,7 bilhões. Isso já descontada uma série de IPOs que foram postergados para 2021.

 

Ou seja, o pico positivo da expectativa econômica crescente das empresas de explorar o potencial dos mercados só está começando. As oportunidades de inovação tecnológica e modelos de negócios, de se investir em pessoas e mobilizar os talentos e competências estão latentes e sendo buscados novamente com muito vigor.

E o mercado de capitais está respondendo positivamente a esse momento investindo e muito, nos IPOs, a despeito de qualquer crise viral pandêmica, pois afinal investir é um ato de longo prazo!

 

 


Jarib B D Fogaça|

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