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Jarib B D Fogaça
Jarib B D Fogaça
Diretor Adjunto na ACIC, sócio na JFogaça Assessoria e conselheiro independente.

Suas finanças em tempos de mudanças constantes

O desejo da humanidade nestes tempos modernos de século 21 tem sido por um mundo sem papel e, principalmente, um mundo sem papel moeda – mas com dinheiro! Há um enorme desejo pelo dinheiro digital em que podemos andar como na canção “sem lenço e sem documento”, e ainda termos dinheiro e crédito onde quer que formos.

Esse novo mundo tem sido chamado de “cashless world” que tem significado de uma sociedade sem dinheiro físico em um conceito econômico em que as transações financeiras são executadas em formato eletrônico, em vez de usar notas e moedas, físicas. Além disso, nem sempre essas transações financeiras são apenas eletrônicas representando o dinheiro físico, elas incluem também as chamadas criptomoedas e outras formas de “moedas” ou meios de troca.

Esse tema de cashless system ou algo assim já é antecipado ou mesmo previsto há décadas. Com o mesmo título deste artigo “Suas finanças em tempos de mudanças [constantes]”, há mais de quatro décadas, Larry Burket escreveu um livro em que o tema de um de seus capítulos foi o chamado cashless system. Quarenta anos atrás livro já tinha um capítulo com essa previsão mais voltada para uma consequência de uma crise econômica sem precedentes em que os governos tomariam controle da situação e tornariam cada cidadão em um “número” para que se pudesse monitorar a economia como um todo por meio do crédito individual. Mas o que vemos hoje é um caminho mais do mundo privado, não governamental, para o cashless system.

Vemos também que com o surgimento das criptomoedas e um mundo sem dinheiro de forma mais ampla, não apenas com dinheiro digital e não físico, mas com um dinheiro se assim podemos chamar, sem referência direta com quaisquer países, economias ou reservas de riqueza. As criptomoedas não têm lastro, não têm país nem nacionalidade; não têm meio físico e parecem ser plenamente fluidas. Inclusive, podem ser carregadas eletronicamente de qualquer forma.

Então como um mundo com um sistema sem dinheiro físico e, acima de tudo, um dinheiro eletrônico e sem lastro entra na economia mundial? As tendências econômicas recentes mostram que há uma real tendência inflacionária em todo o mundo de certa forma causada por mais dinheiro sendo criado pelos governos e colocado no bolso da população e combinado, na direção oposta, com menos produtos sendo produzidos. Temos visto e ouvido sobre isso continuamente, sobre a real falta de produtos, desde os mais caros até os mais baratos.

Mesmo assim há um grande volume de negócios baseado nessa crise, uma infinidade crescente de empresas financeiras provendo crédito em massa a muitos. São as chamadas “fintechs” que, por vias eletrônicas sem necessidade de contato físico nem presencial, emitem crédito por meio de um cartão de crédito a uma grande parte da população – inflacionando ainda mais a demanda mesmo com produtos em falta de forma geral.

E como toda essa tendência de uma economia totalmente eletrônica, incluindo as criptomoedas e, eventualmente, não atrelada a uma moeda específica de um país, pode afetar nossas vidas financeiramente?

Muito, muito mesmo! E a pergunta que também surge é: será que um sistema sem dinheiro “de papel” e “moeda” seria realmente possível?

Um sistema de dinheiro tecnológico, sem relação real e direta com o dinheiro de cada país, com fluidez mundial de uso e movimento pode ainda parecer utopia para alguns, ainda pouco envolvidos com as tendências monetárias mundiais. Eventualmente, nenhum Banco Central confirmará nem negará em que estágio são os estudos das criptomoedas em um determinado país. Isso pois dessa forma descentralizada e, aparentemente segura das criptomoedas, tiraria de forma ampla os controles centralizados de cada país, consequentemente, a soberania sobre a moeda.

A consequência de toda essa tendência é certamente imprevisível atualmente, inclusive pois ainda pouco sabemos sobre essa tendência e suas relações com criação e manutenção de riqueza.

Porém é certo que toda essa ação de criação de criptomoeda certamente gerará uma reação dos órgãos de controle econômicos, o que também se torna impossível prever em pleno momento de tempos de mudanças, substanciais, nas nossas finanças.

Fonte: Jarib B D Fogaça
Imagem: Freepik


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