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Jarib B D Fogaça
Jarib B D Fogaça
Diretor Adjunto na ACIC, sócio na JFogaça Assessoria e conselheiro independente.

O mundo das FinTech só está começando!

O alvoroço em torno das chamadas FinTechs tem sido grande. O incômodo que o coletivo tem com os bancos tradicionais é enorme, seja pela dificuldade de se tratar com os bancos ou pelos custos envolvidos nesse relacionamento.

 

Para melhorar a vida do consumidor de produtos e serviços financeiros, têm surgido todo o tempo as chamadas FinTechs; empresas do setor de Tecnologia que se propõem a oferecer produtos e serviços financeiros de melhor qualidade, com menor custo para o consumidor e de forma mais conveniente.

 

A onda das Fintechs começou por volta de 2010 como quem iria romper com o sistema financeiro tradicional dos bancos. No linguajar tecnológico seria uma onda disruptiva que mudaria a forma como os bancos e as instituições financeiras de um modo geral operam. Seria o apocalipse das instituições financeiras como as conhecemos.

 

Quase dez anos depois, esse apocalipse não aconteceu e o que vemos hoje é que as instituições financeiras continuam operando e crescendo; certamente com muitos diferenciais, principalmente, tecnológicos e muito mais convenientes para os clientes. Além disso, agora é difícil imaginar as FinTechs ultrapassando completamente os bancos e se envolvendo no nicho de contas correntes. Sempre haverá necessidade de um serviço altamente regulamentado que permita que as pessoas e as empresas mantenham seu dinheiro seguro e acessível. Por hora os bancos parecem ser as entidades mais adequadas para essa função. Esse e vários outros aspectos são discutidos por Sérgio Schmukler e Juan Jose Cortina Lorente em um artigo de algum tempo atrás denominado: “The FinTech revolution: The end of banks as we know them?”

 

Eles vão além em afirmar que [apesar das instituições financeiras tradicionais continuarem existindo] a tendência para a digitalização e a inovação tecnológica provavelmente reformulará o setor financeiro global e as maneiras pelas quais as empresas financeiras interagem com seus clientes. A proliferação de dispositivos móveis, novos dados demográficos e a ascensão de fornecedores de serviços financeiros são as forças motrizes desse desenvolvimento, alimentando o surgimento de novas soluções e produtos que melhor atendem às necessidades dos clientes, aumentando a acessibilidade, a velocidade e a conveniência. Como resultado, as expectativas dos clientes em relação aos serviços financeiros estão aumentando e os bancos terão dificuldade em controlar todas as partes da cadeia de valor usando os modelos de negócios tradicionais.

 

Há também que se notar que alguns bancos globais parecem estar mudando seus canais de distribuição de operações físicas para canais não físicos, que provavelmente serão o principal canal de interação entre bancos e consumidores no futuro. Os bancos também parecem estar mudando e vendo as empresas de tecnologia como parceiros e facilitadores, em vez de disruptores e concorrentes. Os operadores históricos estão percebendo a necessidade de tirar proveito dos recursos da FinTech para expandir os negócios, reter clientes existentes e atrair novos, alguns dos quais anteriormente não eram bancários. Enquanto isso, sem acesso a uma base de clientes, a confiança do cliente, capital, licenças e uma infraestrutura global robusta, as novas empresas de FinTech descobrirão que existem limites para seu crescimento. A colaboração entre titulares e novos participantes já está ocorrendo e as instituições financeiras titulares parecem estar investindo cada vez mais no setor de FinTech por meio de aquisições, fundos de investimento, incubadoras e aceleradores.

 

Por outro lado, mais recentemente, um analista de investimentos, Dushyant Shahrawat, em seu artigo sobre investindo em FinTech Startups: “Major disruptors or Mere Distractions?”, comenta que todas essas alegações de que as FinTech Startups seriam disruptivas para as instituições financeiras tradicionais existentes foram esvaziadas. A disrupção em si é complicada, pois é um extremo do espectro de mudanças, com o “status quo” sendo o outro extremo. Entre esses, existem muitos estágios de mudança, que podem não ser facilmente visíveis. Desta forma, ele propõe que as FinTechs pensem além da disrupção. Existem muitas outras maneiras pelas quais essas startups e as tecnologias emergentes estão forçando mudanças, com grandes implicações na estrutura da indústria, lucratividade, crescimento e até em nossas próprias carreiras.

 

Portanto, as FinTechs podem não ter "rompido" com as instituições financeiras tradicionais, mas estão alterando fundamentalmente o setor de outras maneiras importantes. As startups estão pressionando pela inovação, alterando a lucratividade do setor e reorganizando as cadeias de valor. Certamente, daqui algum tempo, quando olharmos para trás, veremos que as FinTechs terão realmente forçado instituições financeiras a mudar radicalmente.

 

Jarib B D Fogaça| fintech, banco, tecnologia, facilidade, futuro

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