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Jarib B D Fogaça
Jarib B D Fogaça
Diretor Adjunto na ACIC, sócio na JFogaça Assessoria e conselheiro independente.

O dia depois de amanhã

Como seria bom se pudéssemos ler o jornal de depois de amanhã. Todas essas dúvidas incessantes de como será nosso dia a dia depois da pandemia estariam esclarecidas.

Como seria bom se pudéssemos ler o jornal de depois de amanhã. Todas essas dúvidas incessantes de como será nosso dia a dia depois da pandemia estariam esclarecidas. Mas nem nós e, me parece ninguém, tem essa prerrogativa: a de saber o futuro. Podemos sim trabalhar com expectativas e hipóteses, mas somente para tratar o hoje com vistas a amenizar o amanhã.

Todas as grandes empresas estão fazendo previsões sobre como serão os negócios no futuro pós-pandemia, um futuro, inclusive, que já tem sido chamado de novo normal.

Dentre as grandes auditorias, uma delas, a PwC, tem publicado e atualizado rotineiramente uma pesquisa americana e global, denominada “COVID-19 Pulse reports”. Buscando alguma convergência de expectativas, na pesquisa publicada em 27 de abril, que neste momento pode até estar um pouco ultrapassada devido a dinâmica do momento, temos quatro grandes tópicos que se destacaram:

O descritivo da rotina de volta ao trabalho deve redesenhar como as tarefas serão feitas; isso pois quase a metade dos pesquisados (49%) disseram que o trabalho remoto está aqui para ficar para certas funções. Consequentemente, as empresas devem planejar alternar as equipes e reconfigurar o ambiente de trabalho, os escritórios;

Proteger [a saúde] as pessoas deve estar no topo da mente; uma grande maioria (77%) planeja adotar medidas de segurança [de saúde] como exemplo: testes [exames de saúde] enquanto a metade espera um aumento nos pedidos de ausência por doença e outras razões;

Impactos substantivos [significativos] são esperados nos resultados de 2020; pouco mais da metade dos que responderam (53%) estão projetando um declínio nas receitas de, pelo menos, 10% e eventualmente nos lucros;

As pressões de custos devem se intensificar; um terço (32%) espera que demissões ocorram conforme o controle de custos seja feito e uma boa maioria (70%) considera deferir ou cancelar investimentos planejados.

Enquanto todas essas expectativas são confirmadas, ou não, ao longo do tempo conforme o retorno ao trabalho se desenrola, temos algumas percepções mais tangíveis e mais próximas de nós nesse momento. O que devemos notar nas próximas semanas e meses conforme voltamos ao trabalho são substancialmente decorrentes de alguns fatores típicos e simples do nosso dia a dia, como segue:

Ida [e volta] ao trabalho e demais lugares: um dos primeiros movimentos que veremos a nossa volta será derivado da própria e real ida e vinda do trabalho – mesmo que tenhamos tido muito trabalho remoto ao longo dessa reclusão, certamente uma grande maioria tanto estará ansiosa como, de fato, precisará retornar presencialmente ao seu trabalho para desempenhar suas funções. E isso causará certamente um certo alvoroço tanto no transporte público como em todo o trânsito das cidades;

Nossa aparência: conforme retomamos nossas atividades em público, fora de nossas casas e de nosso conforto e discrição, nossa aparência novamente será notada. E certamente essa necessidade irá muito além do mero corte de cabelo. Teremos novo comportamento associado ao uso de s máscaras, ao distanciamento físico, tanto social como profissional, e entraremos em um novo processo de retomada de consumo;

A reconfiguração dos locais não somente de trabalho, mas também de compras e entretenimento; as rotinas de abertura e fechamento, bem como o uso diário dos espaços nos restaurantes, nas lojas, nos escritórios e nas fábricas, mesmo aquelas que permaneceram produzindo, já terão uma nova realidade. A própria limpeza e compartilhamento dos lugares serão revistos e repensados.

Como executivos e dirigentes de empresas podemos pensar estrategicamente o dia seguinte na retomada e reabertura das atividades. Mas como cidadãos veremos diariamente as consequências diretas na nossa vida individual e coletiva, tanto familiar como social e profissional, de uma retomada das atividades depois um período de reclusão sem precedentes na história recente da humanidade.

E nesse tempo de retomada notaremos que todos nós mudamos, e muito, e ainda teremos que continuar mudando, para sobrevivermos.

 


Jarib B D Fogaça|

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