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Jarib B D Fogaça
Jarib B D Fogaça
Diretor Adjunto na ACIC, sócio na JFogaça Assessoria e conselheiro independente.

O desafio chamado inflação!

Aqueles um pouco mais experientes, para não dizer com mais idade, podem até se lembrar dos períodos de alta inflação no Brasil. Notamos isso pois estamos vendo na mídia e em vários países do mundo uma enorme preocupação com a inflação, no que parece até um surto inflacionário mundial.

Alguns podem, mesmo que inadvertidamente, comentar que uma inflação de 5% a 10% é pouco em relação ao que tivemos no Brasil décadas atrás; mas não podemos nos iludir, pois a relatividade nesses casos de inflação é muito cruel.


Quando temos uma inflação de 5% ao mês e ela sobe para 7% ao mês, apesar de acharmos que é inaceitável, essa flutuação está inserida em um contexto de variação não muito relevante, pois já estamos desequilibrados! Agora, quando a inflação anual de 5% dobra para 10%, então temos um impacto substancial na nossa vida! E precisamos cuidar muito bem, e rápido, dessa situação.

O que nos chama mais atenção é que essa circunstância parece derivada da pandemia, que já ultrapassa dois anos. O que nos mostra que o trabalho remoto é maravilhoso, mas não resolve. Nossas necessidades básicas não são supridas por trabalho remoto – precisamos ter moradia, alimentação, vestuário e não temos isso remotamente, on- line. Precisamos construir nossa moradia ao vivo e de forma concreta, precisamos
produzir nosso alimento que já teve que ser cultivado no campo ou numa fábrica a partir de ingredientes colhidos das lavouras Até mesmo o nosso vestuário, é preciso armazenar e transportar todos esses componentes de sobrevivência até nossas casas.

Parece que estamos vivendo uma dicotomia, de que o trabalho remoto resolve todos nossos problemas, mas nossa real sobrevivência não reside no trabalho remoto. Não conseguimos entender essa equação pois houve um grande alarde de muitas e muitas empresas de que os custos com o trabalho remoto são menores. Mas, por outro lado, os produtos essenciais estão tendo seus preços elevados, substancialmente, gerando
inflação, mundial!

Os métodos clássicos de controle de inflação estão sendo desafiados, pois geram na essência, retração econômica, eles tiram a liquidez do mercado. Os governos estão em um dilema profundo dos mecanismos a serem usados sem prejudicar a população, pois essa retração econômica pode se tornar uma recessão afetando diretamente a oferta de emprego e a renda proveniente, ou não, dele. Sem contar que devido a
pandemia os governos de todo o mundo aumentaram sua dívida de forma generalizada e um aumento da taxa de juros representa também um aumento do chamado custo (juros) da dívida governamental, afetando o “resultado” operacional dos governos.

Por outro lado, o que se vê no mundo empresarial é muito interessante. Depois de passarmos anos e até mesmo décadas buscando se suprir da fonte mais barata, mesmo que distante e remota, a pandemia nos mostrou por meio do caos logístico, de que talvez seja melhor se suprir localmente, desenvolver a produção local dos produtos mais volumosos e com menor valor agregado. Alguns grandes grupos empresariais mundiais já estão fazendo isso, certificando a produção e o suprimento local geograficamente mais próximos, para suprir seus clientes. Não há milagre, a produção local próxima precisa se tornar mais eficiente e produtiva, se equiparar à qualidade mundial para suprir o consumidor local.

E certamente será uma das formas mais efetivas de se combater a inflação, afinal uma das definições clássicas de inflação nos diz que ela deriva da inflação de custos somada à inflação de demanda, ou o inverso. Os custos certamente aumentaram durante a pandemia devido à ruptura logística de produção e entrega, e de pessoas, bem como a disponibilidade foi reduzida forçadamente; mas é bom lembrar que a demanda se manteve, as pessoas precisaram continuar consumindo, talvez de formas diferentes,
mas continuamente.

E agora, depois de dois anos de pandemia, em uma nova realidade mundial, o que se tem é uma inflação mundial, e crescente.

Vemos de tempos em tempos expressões como sendo o Brasil o celeiro do mundo; podemos e devemos também ser o celeiro de nós mesmos, do nosso próprio povo. E vamos além, podemos ser a indústria de transformação de nosso próprio país em muitos setores, reduzindo a dependência proporcional de produtores instalados em outros países para tê-los produzindo aqui em nosso solo. E suprindo, de forma
exemplar, todas as regiões do país.

 

Fonte: Jarib B. D. Fogaça
Imagem: Freepik


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