https://atualiza.acicampinas.com.br/ADMblog/thumbs/454..jpg
Jarib B D Fogaça
Jarib B D Fogaça
Diretor Adjunto na ACIC, sócio na JFogaça Assessoria e conselheiro independente.

A pandemia e a nova realidade econômica

Ao iniciar esta análise, já há quase um ano, nem esperávamos que teríamos essa pandemia a nossa frente. E mesmo com ela ainda latente, a nova realidade econômica do Brasil vem tomando forma discreta e firme dia a dia.

Ao abrirmos a página central do site do Banco Central (do Brasil, é claro), e clicarmos na aba “Política Monetária”, vemos a atual taxa de juros Selic, em 2,00% a.a.; sim ao ano! Ainda além disso, temos o IPCA, nossa inflação oficial em destaque, que nos últimos 12 meses foi de 3,14% e com expectativa para 2020 em 4%, com uma tolerância de 1,5% para cima e para baixo (leitura em out/20).

 

Com a inflação anual contínua média de 12 meses em torno de 3,5%, e com a Selic em queda livre em 2020, pois parece uma escada descendente, ainda vemos muitos de plantão fazendo críticas fortes a essa nova realidade econômica. Inflação baixa, taxa de juros oficial muito baixa e, no contraponto, uma taxa de dólar alta.

 

Com a longevidade do ser humano sendo alardeada a todo tempo, estou certo de que muitos de nós desfrutaremos, em breve, do grande benefício que essa nova realidade econômica vai nos trazer. Basta ver uma nova e grande onda de empresas abrindo o capital na bolsa de valores, e os investidores dessas muitas empresas por meio de suas ações buscando um retorno maior que a Selic.

 

Ganhar dinheiro com inflação e taxa de juros é uma ilusão de ganho sem produção de riqueza. Debater os ganhos ou perdas econômicas e financeiras descontadas da inflação é uma discussão vazia e sem substância. Analisar ganhos ou perdas financeiras pela relatividade dos fatos, sejam eles de inflação, taxa de juros ou outros quaisquer é uma dependência desnecessária e danosa.

 

O Brasil mudou e, certamente, vamos colher muitos benefícios dessas mudanças nos próximos 5 a 10 anos – com o ganho financeiro puro muito baixo. A disponibilidade interna será, e já está sendo, posta para o setor produtivo. Muitos recursos financeiros que estavam estacionados no mercado financeiro com um rendimento pela taxa de juros alta, agora estão migrando para o setor produtivo. O volume de ofertas de valores mobiliários [ações, títulos de dívida, debêntures e outros] das empresas brasileiras nos mercados doméstico e externo no ano passado atingiu o maior valor da série histórica da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

 

E neste ano, as aberturas de capital, os chamados “IPO” devem atingir novo recorde, a despeito da pandemia.

 

Para ilustrar o círculo vicioso anterior, aplicávamos no mercado financeiro, lastreado na sua maior parte em títulos do governo brasileiro, e então o governo nos pagava juros com um recurso que ele próprio, o governo, não tinha. Isso pois o governo é deficitário, não arrecada o suficiente para pagar seus custos, nem tampouco os custos da dívida. E o governo não arrecada, em parte [sabemos que esta parte pode ser debatida, mas é verdadeira] pelo déficit econômico do país, ou seja, economia fraca, pouca geração de riqueza, poucos impostos pagos e pouco dinheiro alocado ao setor produtivo.

 

A partir do momento em que esses recursos são aplicados no setor produtivo vemos então esse círculo girar para o sentido positivo, produtivo. Veremos nesta década dos anos 2020 esse efeito produtivo se concretizar e o real conceito de “desenvolvimento econômico” se propagar. Os recursos financeiros que têm sido tomados pelas empresas são de longo prazo, permitindo assim o amadurecimento e a concretização dos objetivos de crescimento e produtividade.

 

Devemos discutir ganhos de produtividade, de riqueza. Devemos discutir a geração de ganhos que permanecem gerando novos ganhos. Se temos sido admiradores dos países ricos então devemos também ser e replicar a forma em que tais países se enriquecem. As maiores riquezas dos americanos estão associadas a riqueza da economia, refletida nas empresas. Na Europa isso não é diferente!

 

Com essa nova realidade econômica, certamente o Brasil vai enriquecer, e muito, e desta vez por meio de empresas ricas que forem construídas ao longo do tempo, pautadas na produtividade e geração de riqueza permanente.


Jarib B D Fogaça|

Pode lhe interessar


Colunistas


Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto

Posts recentes


Assuntos relacionados