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Jarib B D Fogaça
Jarib B D Fogaça
Diretor Adjunto na ACIC, sócio na JFogaça Assessoria e conselheiro independente.

A pandemia e a nova realidade econômica

Ao iniciar esta análise, já há quase um ano, nem esperávamos que teríamos essa pandemia a nossa frente. E mesmo com ela ainda latente, a nova realidade econômica do Brasil vem tomando forma discreta e firme dia a dia.

Ao abrirmos a página central do site do Banco Central (do Brasil, é claro), e clicarmos na aba “Política Monetária”, vemos a atual taxa de juros Selic, em 2,00% a.a.; sim ao ano! Ainda além disso, temos o IPCA, nossa inflação oficial em destaque, que nos últimos 12 meses foi de 3,14% e com expectativa para 2020 em 4%, com uma tolerância de 1,5% para cima e para baixo (leitura em out/20).

 

Com a inflação anual contínua média de 12 meses em torno de 3,5%, e com a Selic em queda livre em 2020, pois parece uma escada descendente, ainda vemos muitos de plantão fazendo críticas fortes a essa nova realidade econômica. Inflação baixa, taxa de juros oficial muito baixa e, no contraponto, uma taxa de dólar alta.

 

Com a longevidade do ser humano sendo alardeada a todo tempo, estou certo de que muitos de nós desfrutaremos, em breve, do grande benefício que essa nova realidade econômica vai nos trazer. Basta ver uma nova e grande onda de empresas abrindo o capital na bolsa de valores, e os investidores dessas muitas empresas por meio de suas ações buscando um retorno maior que a Selic.

 

Ganhar dinheiro com inflação e taxa de juros é uma ilusão de ganho sem produção de riqueza. Debater os ganhos ou perdas econômicas e financeiras descontadas da inflação é uma discussão vazia e sem substância. Analisar ganhos ou perdas financeiras pela relatividade dos fatos, sejam eles de inflação, taxa de juros ou outros quaisquer é uma dependência desnecessária e danosa.

 

O Brasil mudou e, certamente, vamos colher muitos benefícios dessas mudanças nos próximos 5 a 10 anos – com o ganho financeiro puro muito baixo. A disponibilidade interna será, e já está sendo, posta para o setor produtivo. Muitos recursos financeiros que estavam estacionados no mercado financeiro com um rendimento pela taxa de juros alta, agora estão migrando para o setor produtivo. O volume de ofertas de valores mobiliários [ações, títulos de dívida, debêntures e outros] das empresas brasileiras nos mercados doméstico e externo no ano passado atingiu o maior valor da série histórica da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

 

E neste ano, as aberturas de capital, os chamados “IPO” devem atingir novo recorde, a despeito da pandemia.

 

Para ilustrar o círculo vicioso anterior, aplicávamos no mercado financeiro, lastreado na sua maior parte em títulos do governo brasileiro, e então o governo nos pagava juros com um recurso que ele próprio, o governo, não tinha. Isso pois o governo é deficitário, não arrecada o suficiente para pagar seus custos, nem tampouco os custos da dívida. E o governo não arrecada, em parte [sabemos que esta parte pode ser debatida, mas é verdadeira] pelo déficit econômico do país, ou seja, economia fraca, pouca geração de riqueza, poucos impostos pagos e pouco dinheiro alocado ao setor produtivo.

 

A partir do momento em que esses recursos são aplicados no setor produtivo vemos então esse círculo girar para o sentido positivo, produtivo. Veremos nesta década dos anos 2020 esse efeito produtivo se concretizar e o real conceito de “desenvolvimento econômico” se propagar. Os recursos financeiros que têm sido tomados pelas empresas são de longo prazo, permitindo assim o amadurecimento e a concretização dos objetivos de crescimento e produtividade.

 

Devemos discutir ganhos de produtividade, de riqueza. Devemos discutir a geração de ganhos que permanecem gerando novos ganhos. Se temos sido admiradores dos países ricos então devemos também ser e replicar a forma em que tais países se enriquecem. As maiores riquezas dos americanos estão associadas a riqueza da economia, refletida nas empresas. Na Europa isso não é diferente!

 

Com essa nova realidade econômica, certamente o Brasil vai enriquecer, e muito, e desta vez por meio de empresas ricas que forem construídas ao longo do tempo, pautadas na produtividade e geração de riqueza permanente.


Jarib B D Fogaça|

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