https://atualiza.acicampinas.com.br/ADMblog/thumbs/662..jpg
Jarib B D Fogaça
Jarib B D Fogaça
Diretor Adjunto na ACIC, sócio na JFogaça Assessoria e conselheiro independente.

A longevidade e a riqueza

Começamos este artigo falando da admiração que muitos têm pelo investidor Warren Buffett e pelo fato de que poucos se lembram de que ele já atingiu 90 anos de idade. Todos reconhecem suas habilidades de investimentos, mas poucos notam que grande parte do sucesso é o tempo de maturação que ele adota.

Estamos a todo momento buscando resultados rápidos e deixamos passar o tempo sem nenhum resultado. Talvez o ritmo frenético da inflação do passado no Brasil ainda não tenha saído por completo das nossas mentes e dos nossos hábitos, e talvez precisemos que esta nova geração do “Real” assuma as lideranças para passarmos a ter longevidade nos nossos planos e nas nossas ações. Por outro lado, as demandas de natureza imediata, práticas e objetivas são deixadas de lado e se arrastam, dificultando a vida das pessoas e das empresas.

A pandemia, que se iniciou em 2020, nos mostrou bem essa necessidade do longo prazo nos planos e do curto prazo na execução tempestiva. A começar pelos prazos de publicação dos resultados das companhias abertas, com ações nas bolsas de valores. Apesar de ter havido uma concessão nos prazos, a maioria das empresas publicou seus resultados conforme planejado, dentro dos prazos. Empresas locais e multinacionais, sofrendo os reflexos da pandemia mundialmente, e mesmo assim cumprindo com seus compromissos.

Por outro lado, planos de longo prazo foram levemente adiados na implementação e, inclusive, foram melhorados nos detalhes para um mundo novo. Um exemplo clássico desse período foi a divulgação da construção da Vila XP. Uma iniciativa da XP Investimentos anunciada em meio a pandemia e reclusão não somente social, mas profissional também.

Lidar com o curto e longo prazo me parece uma arte e incluir nesse desafio a longevidade nos dá uma pitada de desafio e sabor ainda maior. No início de 2018 foi noticiado que Warren Buffett havia ganho uma aposta de $1 milhão de dólares. Mas poucos notaram que foi uma aposta de 10 anos, que ele fez quando tinha quase 80 anos de idade. Ele apostou, viveu e ganhou. Quantos de nós temos feito apostas e até mesmo planos de 10 anos, ainda mais a partir dos 70 ou 80 anos de idade?

Há um exemplo que nos chama a atenção nos EUA. É a história da Arista. De acordo com o livro Cloud Networking Transformation: The Making of Arista, o Google (hoje parte da Alphabet) fez um pedido de informações em 2004. Estava procurando um design de switch que pudesse conectar 100.000 servidores a 1 Gigabit por segundo (1 Gb/s ou 1 G) de velocidade Ethernet a um custo de US$ 100 por servidor (a época, 1G era a velocidade Ethernet padrão para switches de data center.)

E aquela solicitação do Google em 2004 parecia complicada. A principal razão é que tal produto não existia. Então, Andy Bechtolsheim, cofundador da Sun Microsystems e o primeiro investidor externo do Google, montou uma equipe - incluindo os cofundadores David Cheriton e Ken Duda - para atender ao pedido do Google.

Em 2008, foi criado o primeiro produto e a empresa estava pronta para entrar no mercado. Então, os três cofundadores nomearam Jayshree Ullal, ex-executivo da Cisco Systems (NASDAQ: CSCO), como presidente e CEO da Arista. Hoje, a Arista é tida como a “nova” Cisco!

Andy Bechtolsheim à época já estava quase nos 50 anos, já tinha fortuna para não começar novos desafios dessa magnitude. Mesmo assim iniciou um novo negócio e a Arista atualmente tem um valor de mercado em torno de $20 bilhões de dólares [dependendo do dia e do humor do mercado financeiro] e, mais que isso, fatura anualmente em torno de $2,5 bilhões de dólares.

Muitos no Brasil e no mundo têm construído empresas e se enriquecido, e monetizado essa riqueza ao vender suas empresas quando estão na passagem do meio, nos 50 a 60 anos de idade. E vários desses empresários têm iniciado novos negócios que novamente têm prosperado.

Esse ciclo de renovação é fundamental na geração de riqueza e prosperidade e deriva da real longevidade do ser humano, pois estamos cada vez vivendo mais em melhores condições de vida.

 

Jarib B D Fogaça|

Pode lhe interessar


Colunistas


Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto Foto

Posts recentes


Assuntos relacionados