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Marcelo Veras
Marcelo Veras
CEO da Atmo Educação

O que uma crise nos ensina

Na alegria ou na dor, aprendizado

O assunto do dia (e da noite) é a crise econômica pela qual passamos. Os mais esclarecidos sabem porque o Brasil entrou nessa crise e o que precisa fazer para sair dela. Mas a receita é dolorosa. O fundo do poço ainda não chegou e ainda vamos sofrer um pouco mais. Lamentavelmente, os responsáveis pela situação atual do país não assumem seus erros e insistem que trata-se de um fenômeno global, o que é uma grande mentira. Decisões erradas nos trouxeram até aqui e ponto. Mas esse não é foco da minha conversa de hoje. Quero levar a reflexão para outro lado – o que uma crise nos ensina. Você conhece aquele ditado que diz “já que só tenho limão, vou fazer uma limonada”? Pois bem, já que a crise está aí, o que podemos aprender com ela?

Recentemente, eu dava uma entrevista para uma rádio em Campinas e o tema era “a crise e a sua gestão financeira pessoal”. Nesta ocasião, fiz questão de começar a conversa dizendo que crises sempre existiram e sempre irão existir. Quem não se lembra de todas as crises que passamos no Brasil nos últimos 25 anos? Não foram poucas. O ponto principal é que nunca (ou quase nunca) sabemos quando ela vai começar e quando vai terminar. Além disso, fiz uma síntese que, para mim, faz todo sentido: “Qualquer crise, quando chega, encontra preparados e despreparados”. Essa é uma realidade inegável. Há pessoas que sofrem mais e há pessoas que sofrem menos durante uma crise. O tamanho da dor depende do quão preparado você está para enfrentar momentos difíceis.

Em outra reunião recente com líderes empresariais da RMC – Região Metropolitana de Campinas, discutíamos o que cada empresa estava fazendo para minimizar os efeitos da crise econômica. Um deles saiu com uma metáfora fantástica e disse que estava concentrado, naquele momento e na sua empresa, em descobrir ativos inertes. A explicação do que significa “ativos inertes” foi fantástica. Segundo ele, e com toda razão, durante as vacas gordas, poucos se preocupam em melhorar a produtividade, buscar reduções de custos e serem mais eficazes na gestão. É na época de vacas magras que as pessoas, se forem provocadas e motivadas, conseguem usar mais e melhor a sua criatividade para buscar alternativas diferentes e ousadas. Essas pessoas e ideias, segundo ele, são os ativos inertes, ou seja, profissionais com ótimas ideias que brotam em época de maior dificuldade. Achei brilhante. É bem isso: na abundância somos mais displicentes. Na escassez, temos que nos virar para sobreviver, e sempre encontramos formas melhores de administrar recursos escassos.

Portanto, ficam aqui, na minha modesta opinião, uma lista de lições e aprendizados devem estar na nossa mente neste momento:

1. Crises sempre existiram e sempre vão existir. Não adianta achar que é o fim do mundo. Não é. Um dia ela acaba e começa outro momento de vacas gordas;

2. Crises encontram preparados e despreparados. Nos momentos de abundância, nunca gaste tudo o que tem. Guarde sempre recursos para serem usados nestes momentos difíceis;

3. Durante uma crise a melhor postura é a proatividade. Portanto, pare de ficar reclamando dela e faça algo de concreto. Busque formas inovadoras para ajudar a sua empresa a superar o momento;

4. Chame a sua equipe para a responsabilidade. Seja transparente com as pessoas, por pior que seja a situação, e motive todos a ajudarem a buscar soluções que melhorem os resultados da empresa;

5. Avalie de perto a postura de cada pessoa da sua equipe. Uma crise é um ótimo momento para conhecer quem é quem de fato. Há pessoas que crescem e mostram competências fantásticas durante um momento difícil, enquanto há outros que só entregam bons resultados quando a maré está a favor;

6. Fique mais perto da sua equipe. Converse mais, motive mais – tudo isso olho no olho. Reduza a quantidade de e-mails e comunicações impessoais. Durante uma crise, as pessoas precisam de união, apoio e proximidade, não de e-mails e mensagens de Whatsapp.

É isso. A crise vai passar. Pode demorar um pouco, mas vai passar. Enquanto ela não acaba, faça uma coisa nobre – aprenda com ela! Até o próximo.


Marcelo Veras| comportamento, marcelo veras, crise

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