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Equipe ACIC
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Mais humano, mais digital: o mundo pós-coronavírus

Todo o desafio gera aprendizado. Quanto maior um, maior o outro, por Gustavo Schifino.

Não podemos desperdiçar uma boa crise. Proponho uma pausa estratégica sobre o assunto de qual seria a maior onda para falarmos de um mundo novo que todos já estamos a caminho. 

Na prática, a Covid-19 acelera as transformações digitais e humanas, especialmente o conceito de peoplecentric, literalmente, as pessoas no centro. E isso vale tanto para o consumidor quanto para os profissionais das empresas. Ou você respeita o indivíduo (todos) ou não pertence a este mundo. Não falamos mais de clientes e funcionários, mas, sim, de comunidade. E só quando a comunidade ganha relevância, quando as pessoas jurídicas aplicam no dia a dia qualidades que costumamos associar às pessoas físicas, como verdade e sinceridade, é que mudamos de fato. 

Uma das pernas de sustentação deste píer onde devemos atracar é o retailment. Trata-se de uma fusão entre o varejo e o entretenimento. Dentro da lógica que as pessoas não se deslocam mais por necessidade, e sim por prazer. Assim o estabelecimento, seja qual for, tem que gerar prazer, além da solução do produto. Não basta ter o produto, tem de oferecer uma curadoria relevante sobre ele e transformar o momento da compra em algo instagramável.

Em uma fase de recuperação econômica pós-coronavírus, também deveremos migrar, de forma contínua, de uma economia tradicional, da propriedade, para economia do acesso. Só na parte de reúso e locação de roupas e acessórios os Estados Unidos já movimentam U$ 21 bilhões. O mesmo ocorre com conteúdo, softwares, móveis, jóias, em todas as verticais. É uma enorme chance de novos modelos de negócio. 

A Rent the Runway, em parceria com a rede W de hotéis, por exemplo, criou o guarda-roupa na nuvem. Assim as pessoas não precisam mais carregar sua malas para viajar e, quando chegam ao destino, o armário do hotel já está preparado, com roupas para locar, usar por uma semana. 

Ainda estamos muito acostumados a comprar e a vender coisas novas. Com a escassez gerada pela Covid-19, chegaremos a uma sociedade que, provavelmente, usará melhor seus recursos, até porque custarão mais barato. Ficará mais fácil comprar produtos usados ou alugá-los. A Ikea, maior rede de móveis do mundo, informou que passará a locar seus berços em vez de vendê-los. Faz todo sentido. Conseguiremos fazer mais com menos. E, do ponto de vista do ambiente, teremos uma produção mais inteligente. Para o varejo que operar com usados, significa trabalhar com menos investimento em estoque, o que deixa as operações mais rentáveis.

Seguimos: os chatbots vão crescer tão rápido como os serviços de delivery. Isso permitirá que na mesma plataforma que estamos usando para nos comunicar também poderemos resolver uma necessidade rápida, utilizando inteligência artificial. Isso também será acelerado com a internet 5G. 

Mas ainda há mais mudanças que a pandemia deve provocar com o provável fim do dinheiro físico. Esta “morte” está baseada numa lógica que já acontece em alguns países. Curiosamente a China, onde surgiu o novo coronavírus, foi a primeira a dar o pontapé, e desde 2018 não utiliza mais o papel-moeda. Parece razoável apontar este fator como ajuda na tarefa de controlar este vírus de altíssimo contágio – porque o dinheiro é um grande transmissor de vírus e bactérias. Do ponto de vista empresarial, quando o cliente paga utilizando uma carteira digital (wallet), amplia a segurança e a captação de dados. E utilizando técnicas de geolocalização para oferecer o produto certo, na hora certa, para o cliente certo.

Tão logo consigamos reorganizar as nossas responsabilidades profissionais para este terrível momento, devemos focar nesse novo mundo, usando o precioso break obrigatório para algo relevante, decisivo para todos. Assim, nos aproximaremos das soluções digitais já existentes para nossas atividades. Na prática, usaremos nossa própria organização de uma forma melhor para as pessoas, seja com serviço, seja com produto. As marcas passarão a ser realmente indivíduos e, como tal, só vão prosperar com verdade e amor ao próximo, usando a tecnologia para acelerar seu propósito.

Esta crise é, também, existencial, e ensina que sairemos dela mais conscientes de que o caminho para a paz passa pela compaixão e pela tecnologia. 

Nada ficará como antes. Nenhuma empresa, nenhuma pessoa. 

*Gustavo Schifino (Guga) é CEO da DX.CO, plataforma de transformação digital da venture builder 4all, um hub de empresas digitais com sede em Porto Alegre (RS), São Paulo (SP) e Pelotas (RS). Guga foi CEO do PIER X, o primeiro marketplace phygital multiexperiência da América Latina, já ocupou a presidência do conselho de ética da ABF (Associação Brasileira de Franchising) e a presidência do SCPC/CDL POA. Também é conselheiro de empresas formado pelo IBCG e curador de missões internacionais no Websummit (Lisboa) e na NRF (NY).

 


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