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Jarib B D Fogaça
Jarib B D Fogaça
Diretor Adjunto na ACIC, sócio na JFogaça Assessoria e conselheiro independente.

Profissões em alta nos últimos 500 anos

Muito se tem falado, escrito e ensinado neste século 21 sobre carreiras. Afinal, uma grande parte de nossa vida será vivida trabalhando, então, que seja em algo bom e proveitoso. Muito se tem feito também para orientar os jovens a escolherem bem sua formação, sua profissão e terem uma carreira profissional de sucesso.

Enquanto sucesso pode ter significado diferente para cada um de nós, trabalhar tem significado muito semelhante a todos. Já tem sido discutido e ensinado pelos psicólogos que o trabalho tem parte significativa na autoestima do ser humano, principalmente pelo seu efeito concreto de ser útil, de se ter valor para algo em prol de alguém ou alguma coisa. Notadamente, se ouve que pessoas que viveram muito, trabalharam até seus últimos dias de vida e, certamente, isso lhes deu mais vida e maior realização.

No livro de Walter Isaacson sobre a vida de Einstein, conta-se que até suas últimas horas de vida ele ainda estava desenvolvendo suas teorias. Foram encontradas folhas de estudo caídas no chão ao lado se sua cama no hospital logo após ele falecer.

Continuamente estamos ouvindo sobre grandes mudanças no mundo, que tudo vai mudar nos próximos anos e que muitas profissões deixarão de existir. Porém, tenho muita dificuldade em aceitar integralmente essas afirmações. A maioria das profissões permanece a mesma há muitos anos e são seculares, o que varia são as características e as especialidades delas, que se desencadeiam em atividades diferentes dentro de um mesmo ramo profissional.

A medicina, por exemplo. Não faltam relatos históricos de médicos há muitos séculos. Um deles inclusive escreveu um evangelho relatando a vida de Jesus, o médico Lucas, mais de 2.000 anos atrás. Há também o livro "O Físico", de Noah Gordon, que conta a história de um homem para quem o bem-estar da humanidade vem em primeiro lugar. O livro, erroneamente traduzido, uma vez que o título original “The Physician” se traduziria para “O Médico”, se tornou muito famoso. Este livro é mais um indicativo dessa fascinante profissão que já existe há séculos e que não vai acabar tão cedo, pois enquanto existirem pessoas, existirão médicos.

A engenharia. Há muitas evidências de que a origem dessa profissão se mistura com a história das civilizações, como disse o engenheiro Nízio José Cabral em plenária no CREA, fazendo valer a frase célebre entre os profissionais da área: “A história da civilização é a história da engenharia”. As evidências incluem principalmente as edificações antigas e que subsistem até os dias de hoje, e também as grandiosidades da engenharia moderna que inclusive levaram o homem à lua. A importância dos engenheiros foi longamente exposta por uma reportagem há alguns anos intitulada “A falta que bons engenheiros fazem”, na revista Exame. Uma ótima base para nossa reflexão sobre mais uma profissão secular e que produz tanto impacto positivo em nossas vidas.

A advocacia. Quem não se lembra do filme de muito sucesso chamado “Advogado do Diabo”, sobre uma profissão que encontramos em todo lugar? Quem também não se lembra de Scott Turow, advogado e também escritor de vários livros com versões traduzidas e vendidas em milhões de cópias, e que inclusive teve vários dos seus livros reproduzidos em filmes? Quem nunca teve nenhum contato com um advogado, certamente ainda terá. Toda vez que sentimos nossos direitos abusados, buscamos sempre um advogado para defendê-los. A formação de um advogado inclui saber profundamente as leis e também os usos e costumes de um povo, para que possam exercer sua profissão da melhor forma. Tem-se na Grécia e no Império Romano as raízes do Direito e também as origens da advocacia. Não me parece haver dúvidas da necessidade humana do advogado, profissional que já existe há séculos e que vamos continuar precisando por muito tempo.

A contabilidade. Recentemente vimos no cinema o filme “O contador”, que usa uma profissão - algumas vezes tida como sem qualquer emoção, se transformar em um excelente filme de ação com muita emoção. O pensamento contábil e a profissão de contador se desenvolveu na idade média com o surgimento do estudo “Contabilidade por Partidas Dobradas” (tractatus de computis et scripturis) do Frei Luca Pacioli. A contabilidade entrou no ramo de conhecimento humano e deu origem a sistematização dos registros, consequentemente ajudando a estabelecer o controle das inúmeras riquezas que o mundo apresentava. Várias medições de riquezas que são feitas nos dias de hoje se baseiam em dados e registros sistematizados contabilmente. A própria medição que fazemos em nossa declaração de renda, nos demonstrativos contábeis e financeiros das empresas e demais entidades e nos relatórios de governo dos países, são resultado de alguma mensuração e registro contábil subsidiários.

A medicina é uma profissão que nos coloca próxima dos seres humanos desde o início da vida; a engenharia nos propicia as melhores condições de vida; a advocacia defende nossos direitos perante as circunstâncias adversas; e ainda a contabilidade nos propicia conhecimento sobre a forma de registrar e medir nossas necessidades, nosso empenho, nosso desempenho, e acima de tudo, nossa riqueza.

Estas profissões muito bem ilustram a longevidade das necessidades humanas. Elas estão aí há mais de 500 anos e continuam evoluindo a cada dia. Portanto, não me parece que profissões como essas, seculares e que lidam com as necessidades básicas e diárias do ser humano, corram algum risco de desaparecer.


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