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Adriana Flosi
Adriana Flosi

Por um desenho urbano inovador

No passado não tão distante, o conceito de leveza era algo aplicado às artes, ao design e à arquitetura. Não era raro, valorizar e conceder poder a instituições públicas e privadas de grande porte, que ocupavam grandes espaços e traziam consigo, intrinsecamente, o conceito do pesadume. Gerações cresceram vislumbrando ser parte dessas engrenagens avantajadas e centralizadoras de poder. 

Aos poucos, a leveza tem extrapolado limites. Ela está cotidianamente muito próxima do cidadão. A tecnologia em nuvem permite que nos livremos de lastros; andamos de mãos livres, porém acompanhados de uma grande quantidade de informação arquivadas virtualmente e a nosso alcance a qualquer momento. A tecnologia mobile, simbolizada pela leveza de um smartphone, se tornou uma extensão do cidadão. 

O futuro é leve. Ele vem com a micro e nanotecnologia, com as muitas possibilidades dos novos materiais como o grafeno. Enfim, o século 21 nos revela a força da leveza. Empresas e instituições buscam agora despir-se de peso ao se depararem com novos e ágeis agentes como as startups e os espaços de coworking e inovação. Escolas procuram novos métodos de ensino que agreguem inspiração ao conhecimento. Aliás, há algo no qual o conceito de pesado se consolida tanto como numa sala de aula do século 20 e que persiste atualmente?

A leveza torna o cidadão livre e com poder para se dedicar a novas experiências. Ela permite novas relações, com menos atrito, no momento em que a posse dá lugar ao acesso. Sem possuir um automóvel é possível fazer grandes deslocamentos e pagar por isso sem sacar a carteira do bolso.

Escritórios e empresas com relações horizontalizadas trazem em si os ambientes de trabalho contemporâneos que respeitam o estilo de vida de cada um e garantem bem-estar e equilíbrio entre vida pessoal e a atividade profissional.

A comunidade percebe que a agilidade que cotidiano nos cobra só é possível se ela estiver beneficiada por estruturas que tenham o conceito da leveza, incluindo a grande estrutura urbana que nos une: a cidade.

É aqui, no ambiente da cidade, que estão os drives de mudança da sociedade. É neste espaço que enfrentamos e superamos desafios relativos ao meio ambiente, à inclusão econômica e social, à igualdade de gênero, à geração de renda e desenvolvimento, às conexões humanas e tecnológicas. É por meio da cidade que nos relacionamos com o outro e, juntos, definimos um novo vínculo com o espaço público.

Habitamos um município que passa por um momento de oportunidade. Por meio do novo Plano Diretor, temos a chance de debater com a população e todos os agentes representativos o rumo do desenvolvimento urbano e a sua função.  Transparência e participação são palavras-chave para um resultado que vise o bem comum da cidade, como o crescimento e desenvolvimento econômico com bases sustentáveis.

A confecção de um novo Plano Diretor nos acena com essa chance. É a ocasião de selarmos um compromisso pautado numa visão de mundo que leve em conta a leveza por meio da qual o século 21 se apresenta.


Adriana Flosi| getão, plano diretor, campinas, design, tecnologia, futuro, leveza, experiencias, empresas

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