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Eduardo Vilas Bôas
Eduardo Vilas Bôas
Professor, consultor, blogger e editor do MMdaMODA

Entenda (e use) o poder de classificação das cores no varejo

Como afirmou Carl Jung, pai da psicologia analítica, as cores são a língua nativa do subconsciente e, portanto, afetam muito mais as emoções, interesses e comportamentos do consumidor do que podemos imaginar. 

A famosa Gestalt, um ramo da psicologia que estuda a percepção das formas, afirma que para se compreender as partes é preciso, antes, compreender o todo, logo, o todo é organizado pela soma de elementos, dos quais a cor é o primeiro item a ser observado inconscientemente – num primeiro momento – pelos indivíduos. Olha a importância das cores para chamar a atenção visual do consumidor!

Essa relação psicológica do homem com as cores é tão complexa que existe um ramo dedicado a seu estudo, chamado de psicodinâmica das cores. Esses profissionais dedicam-se a entender as potencialidades das cores enquanto ferramentas de comunicação para o marketing, tornando-as fatores de atração e sedução para o consumidor ao reforçar ou destacar mensagens visuais. 

A teoria sobre cores é muito ampla e poderíamos discutir várias formas de emprega-la a favor do varejista. Nesse momento farei o destaque de uma dessas possibilidades que é o poder de classificação das cores.

As cores chamadas classificadoras conferem uma imagem mais sofisticada, cara, exclusiva e madura as composições. São cores profundas, fechadas, não saturadas. Já as cores desclassificadoras imprimem um aspecto mais simples, infantil, barato e popular às composições. São cores vivas, abertas, saturadas, conforme você pode perceber na imagem acima. 

Veja nessas imagens como duas peças muito parecidas resultam em imagens finais bastante diferentes. O casaco da esquerda é de um anil profundo (cor classificadora), o que confere uma imagem madura com ares de exclusividade e sofisticação à peça, enquanto o vermelho vivo da peça à direita (cor desclassificadora) remete a atividade, alegria e descontração, portanto, uma leitura psicológica mais imatura e acessível. 

Então, qual casado está certo e qual errado? Na realidade ambos atenderão ao interesse de públicos distintos. Uma jovem, por exemplo, na sua maioria preferirá cores desclassificadoras. Para um evento específico, como uma formatura, certamente optará por cores classificadoras. Mas cuidado com as regras, talvez o seu público jovem seja a exceção. Por isso é importante conhecer muito bem os gostos do seu consumidor. 

Assim, independente do perfil do seu público-alvo você deverá fazer escolhas de cores que acrescentem na percepção de valor da sua marca, esteja essa cor num anúncio, no ambiente de loja, num projeto de vitrine, na coordenação de roupas em um manequim, na correlação de produtos para exposição no ponto de venda, nos materiais de comunicação. 

O importante é entender que a cor não é um simples detalhe para o varejo, portanto sua escolha deve estar acima dos modismos, focada no interesse de consumo do seu público e coerente com o posicionamento da sua marca.

 


Eduardo Vilas Bôas| ACIC, Acicampinas, Eduardo-Vilas-Boas, Visual-Merchandising, Coluna, Blog, Tendências, cores, varejo

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