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Jarib B D Fogaça
Jarib B D Fogaça
Diretor Adjunto na ACIC, sócio na JFogaça Assessoria e conselheiro independente.

A gestão cultural dos negócios

Não podemos criticar nossa própria cultura eternamente, em especial nossa cultura empresarial. Podemos sim, transformá-la, renová-la, profissionalizá-la.

Já há algumas décadas que o Brasil vive uma nova realidade, fortemente marcada pela transição de um governo militar para um governo civil. Uma nova realidade que propiciou uma cultura empresarial empreendedora forte a nascer, crescer e tomar forma.  Um grande grupo de líderes empresariais brasileiros deste século foi formado dentro dessa nova realidade. Grupo que viu a transição nos seus primeiros anos de profissão, conforme concluía a faculdade e buscava uma colocação profissional, e que foi formado - em sua grande maioria - a ferro e fogo, como se diz no jargão. Profissionais que enfrentaram grandes desafios nas suas conquistas iniciais de estudo e profissão em uma época de grande escassez, de toda natureza.

A cultura empresarial brasileira é de ótima qualidade. A composição econômica do Brasil também é muito boa. Se observarmos alguns indicadores básicos das maiores empresas do país nas últimas três décadas, desde a transição para um governo civil, vemos essa significativa evolução. Significativa parte das maiores empresas operando no país, por exemplo, não eram brasileiras. Muito menos eram brasileiros os dirigentes principais, como presidentes ou gerentes gerais, e ainda era incipiente um grande número de brasileiros em cargos e funções estatutárias. Muitas multinacionais estrangeiras ainda tinham como seu principal representante no pais, um advogado.

Isso mudou, e para melhor. Hoje temos muitos dirigentes brasileiros dirigindo não somente empresas brasileiras, como também multinacionais operando no país. Também temos muitos brasileiros dirigindo suas próprias empresas, empresários que construíram seus negócios nessas três décadas de forma exemplar.

E será que essa informação já não diz muito sobre nossa cultura, transformada, renovada, profissionalizada? Um grande grupo de brasileiros, que muito além de vencer as dificuldades inerentes de um país em ascensão, superou as críticas sobre nossa cultura e tem renovado nossa cultura dia a dia, buscando profissionalizá-la todo tempo.

Os componentes fundamentais de uma cultura profissionalizada podem ser observados pelos comportamentos expressos nesta bela frase em inglês: “Being on time; obeying the rules, and getting things done”!

Cumprindo os prazos: será que ainda somos assim tal irresponsáveis com os prazos? Acredito que não.

Obedecendo as regras: e quanto as regras, como estamos? Acredito que muito bem.

Completando as tarefas:  talvez aqui podemos melhorar, certamente.

Se tomarmos como base o espectro empresarial que é o nosso foco aqui, podemos ver que sim, estamos cumprindo prazos e obedecendo as regras na maioria das vezes.  Certamente alguém pode identificar exemplos contrários para subsidiar uma crítica, mas será que aquilo que já temos não é suficiente para usarmos como exemplo para melhorarmos ainda mais? Se tomarmos os principais rankings das maiores empresas do país, por vários veículos de pesquisa, vemos um universo admirável de empresas, sejam elas nacionais ou multinacionais, de capital aberto ou mesmo capital fechado, e até de natureza profissionalizada ou ainda familiar. E cada uma delas, em sua grande maioria, tem sim, cumprido os prazos e obedecidos as regras.

Somos rápidos em criticar os prazos e as regras impostas a nós e às nossas organizações, dizendo que são inapropriadas, e não vemos que a grande maioria das empresas, e aqui sob a direção de empresários brasileiros na maioria das vezes, obviamente, está cumprindo com esses prazos e regras. Talvez devemos tomar como exemplo essas empresas que cumprem esses requerimentos para inspiração e profissionalismo e fazermos o mesmo. De que lado estamos, daqueles que criticam apenas, ou dos que cumprem, e propõem melhorias? Se cumprirmos esses requerimentos, então certamente estamos respaldados até para criticá-los, de forma responsável, oferecendo propostas concretas e exequíveis de melhorias.

Alguns indicadores nos ajudam a entender nossa realidade, e ver que caminhamos para uma melhoria substancial nesses quesitos culturais, principalmente aqueles relacionados à nossa cultura profissional, contrariando os pessimistas de plantão. Nosso PIB cresceu substancialmente nessas últimas três décadas, nosso país está bem-posicionado como uma das grandes economias mundiais. Nossa composição econômica em 2015 tem em sua grande parte, grandes empresas brasileiras, e temos um mercado de capitais sólido, maduro, e atrativo. Basta ver o grande número de fundos de investimento estrangeiros investidos no Brasil, não somente aqueles que investem diretamente nas empresas abertas ao mercado, mas também no grande número de investimentos diretos e indiretos via fundos de capital privado no Brasil, e públicos no exterior.

Temos regras modernas, pois adotamos o IFRS, a norma contábil internacional que nos dias atuais nos dá a oportunidade de diálogo com a comunidade empresarial em todo o planeta, temos um órgão regulador e uma bolsa de valores com estruturas maduras e ativas no mercado. Certamente também, as empresas de grande porte estão cumprindo com os requerimentos a elas aplicáveis de auditoria externa (e divulgação) de suas demonstrações financeiras.  Ainda que em discussão jurídica se a divulgação e/ou publicação seria obrigatória ou não, muitas dessas empresas de grande porte estão aproveitando e transformando esse debate em uma oportunidade para sua organização, de atendimento a um dos princípios de governança corporativa que é a “transparência”.

Nada melhor do que sair na frente e aproveitar uma boa discussão para divulgar o alinhamento de sua organização com as melhores práticas de governança corporativa. E, mais uma vez, contribuir de forma concreta para a melhoria de nossa cultura profissional. Como se diz no jargão futebolístico, jogo se vence no campo (e não nos bastidores).

E assim, devemos fazer a gestão cultural dos nossos negócios de forma exemplar, transformando, renovando, e profissionalizando-a continuamente.


Jarib B D Fogaça| ACIC, Jarib-Fogaça, gestão, artigo

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