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Jarib B D Fogaça
Jarib B D Fogaça
Diretor Adjunto na ACIC, sócio na JFogaça Assessoria e conselheiro independente.

A gestão comportamental dos negócios

Alguns escritores mencionam que empresas têm comportamento semelhante ao do ser humano, talvez uma forma figurativa para se fixar algumas ideias sobre como gerir os negócios. Entretanto, sem entrar no mérito da semelhança ou não dos comportamentos, acredito que sim, temos que gerir o comportamento dos nossos negócios. Não precisamos estudar as semelhanças entre os negócios e o ser humano, basta gerir o comportamento das pessoas que compõem nossa entidade, negócio ou atividade profissional. E gerir comportamentos começa de nós mesmos, dos nossos próprios comportamentos.

Ram Charam identifica no seu livro “Execução” o conjunto de elementos que a compõem. Ou seja, quais são os elementos e os componentes necessários para se elaborar, implementar e fazer funcionar os três processos-chave da execução de forma eficaz, rigorosa e consistente. Esses elementos são: o comportamento, a cultura, e as pessoas. E o livro trata em especial dos comportamentos essenciais do líder. Se uma organização tem líderes com comportamentos apropriados à sua organização, então temos aqui uma boa base para a gestão comportamental do negócio.

Nenhum negócio funciona sem pessoas. Nenhuma empresa ou entidade de qualquer natureza funciona sem que pessoas a façam funcionar. Elas são as engrenagens motoras, não simplesmente as engrenagens, mas aquelas que têm força própria e, portanto, motoras de uma organização, empresa ou entidade. Se essas pessoas se comportam de certa forma, certamente trazem de alguma origem esse comportamento. Em primeiro lugar da sua família, depois da sua comunidade, então de seu estudo e graduação, e finalmente esse comportamento começa a ser melhor moldado, polido e consolidado no ambiente profissional dos negócios.

As pessoas entram para trabalhar em uma empresa com grandes expectativas sobre a cultura e comportamento da organização. Rapidamente buscam aprender e adotar os comportamentos para serem aceitas, respeitadas e reconhecidas nesse ambiente novo para elas. Então qual o comportamento essas pessoas vão adotar? Certamente o comportamento existente e em vigor na organização, que refletirá o comportamento do líder daquele negócio, seja ele líder de toda organização ou apenas de uma unidade remota. Como tal, esse comportamento é também a base cultural do negócio e aqui podemos afirmar que a cultura é a consequência do comportamento, não o inverso. Ainda mais se queremos mudar a cultura de uma organização teremos que começar a mudar o comportamento das pessoas, a começar pelo líder dessa organização.

E aqui não podemos nos furtar a algo que nos remete às semelhanças do ser humano, do seu comportamento e das organizações. Precisamos lembrar que tudo aquilo que acontece em nossa cabeça, afeta nosso corpo e, da mesma forma, tudo que acontece na cabeça da organização e de seu líder, afetará todo o negócio. O líder de uma empresa deve perceber e estar sempre alerta para o poder enorme que tem em suas mãos, e que raramente deveria utilizá-lo. Ter um enorme poder e administrá-lo de forma parcimoniosa é uma arte a ser cultivada dia a dia. Uma das definições do dicionário é que líder é aquele indivíduo que exerce influência no comportamento ou modo de pensar de alguém. E aqui estamos novamente com nosso tema principal, o comportamento dos negócios, das organizações, das pessoas dentro dessas organizações. E as dúvidas são: como fazer a gestão comportamental dos negócios? Por onde começar? Como agir?

Entre as sugestões que podem ser consideradas eu prefiro me ater àquelas que se alinham e se harmonizam com a concepção de visão, missão e valores, e que tratam diretamente de comportamentos das pessoas na organização. Certamente para se assegurar que os elementos que se seguem sejam observados será necessário uma grande habilidade do líder, em seus vários níveis na organização, desde o principal diretor executivo até o líder de um grupo operacional ou de uma estação de trabalho. Cada um deverá espelhar seu comportamento nas premissas elencadas a seguir. Então, o que precisamos na nossa organização para promovermos comportamentos saudáveis e desenvolver uma cultura exemplar e admirável? Precisamos de três elementos chave: um propósito comum, uma boa comunicação e respaldar a competência de cada um.

Um propósito comum. Se a equipe não compartilha de propósitos comuns, então essa equipe não compartilha das mesmas metas, mesmo que elas tenham sido desdobradas nos diversos níveis da organização. Não há harmonia no comportamento quando à visão, missão, valores, e as metas decorrentes se não são compartilhadas. O efeito é uma cultura fragmentada, fragilizada, fraca para enfrentar os desafios coletivos. Ter um propósito comum é como construir uma catedral, alguns assentam tijolos, outros constroem catedrais.

Uma boa comunicação. Um desafio interminável no dia a dia de uma organização já que algumas comunicam mais do que o necessário; outras, menos, e nunca todos estão satisfeitos. Algumas regras sempre nos ajudam nessa tarefa, sendo a primeira, é se questionar, há algo para se comunicar? Então devemos nos questionar, em sendo necessário uma comunicação, sua extensão e detalhes, quanto mais se explica, mais se confunde. Devemos também considerar se as comunicações feitas têm natureza vertical, portanto hierárquica, horizontal e, consequentemente, institucional, ou ainda meramente informativa? Mas a regra máxima na comunicação, é ter regras pré-definidas e um processo de revisão e aprovação de qualquer comunicação a ser feita. Uma boa regra, seguida a rigor, certamente diminuirá grandemente as confusões de interpretação e o desperdício de tempo de todo pessoal na leitura de mensagens sem propósito.

Respaldar a competência. Nada melhor e mais efetivo do que reconhecer a competência de uma pessoa. Reconhecer quando essa pessoa sustentou a visão da organização e executou a missão dentro dos valores previamente estabelecidos. Esse é um excelente sinal a ser enviado a toda equipe e que afeta profundamente o comportamento de todos. Quando uma pessoa zela pela competência e é reconhecida, os benefícios são abrangentes e permeiam toda organização. E, consequentemente, promovem o desenvolvimento de uma cultura de excelência.

A gestão comportamental dos negócios é certamente uma tarefa desafiadora para qualquer profissional, não importa seu cargo. Basta que sua função seja de liderar uma equipe. Todo o seu comportamento gera efeito e promove comportamentos que refletirão uma cultura no dia a dia. Qual tem sido nosso comportamento diante dos propósitos comuns da organização a que pertencemos diante da comunicação formal e informal da qual participamos? E mais ainda, qual tem sido nosso comportamento diante da nossa própria competência?  Devemos nos comportar de forma a buscar e atingir nossas próprias metas e, portanto, a promover uma cultura de competência, acima de tudo.


Jarib B D Fogaça| ACIC, Acicampinas, Campinas, blog, Gestão, Jarib-Fogaça, Artigo, Comportamental, Comportamento

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