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Jarib B D Fogaça
Jarib B D Fogaça
Diretor Adjunto na ACIC, sócio na JFogaça Assessoria e conselheiro independente.

A busca da felicidade

Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Não adianta assumir uma função para a qual não se está preparado.

O mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras. Com este, e vários outros alertas por uma mudança de atitude, Roberto Shinyashiki lançou há mais de uma década o livro “Heróis de Verdade”. À época, a revista Istoé publicou uma entrevista com o autor feita por Camilo Vannuchi, que reputo após mais de 10 anos, ainda tão atual quanto à época da publicação. Reproduzo um extrato dessa entrevista, de forma atualizada para nossos dias, para nossa reflexão.

Em "Heróis de Verdade", o escritor combate a supervalorização da aparência e diz que o que falta ao Brasil é competência. Shinyashiki defende ainda que há um jogo de aparência que toma conta das corporações e das famílias. Nos parece que, em parte, a crise atual que assola nossa economia tem em seu bojo algo dessa natureza - que na primeira década deste século supervalorizamos nossas expectativas de sucesso e nos faltou competência coletiva para que evitássemos os riscos. Riscos esses que se materializaram e agora causam tantos danos a nossa economia, nossas empresas, nossas famílias.

Para Roberto Shinyashiki nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, precisamos ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. O que se defende como importante é que o filho da pessoa que trabalha para cada um de nós possa sentir orgulho do pai/mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

O resultado da busca pela aparência tem sido um mundo vítima da depressão. Há países em que há mais suicídio do que homicídio. Parte da razão está na depressão das aparências, daquele que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro. Paranoia e depressão estão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e se esquece que a única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ter sido criança, quando criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os pais estão roubando a infância dos filhos.

O mundo corporativo tem se transformado, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o profissional com mais marketing pessoal do que a melhor competência.

Shinyashiki defende que há perguntas sem sentido que são feitas tais como: “qual é seu defeito?" Muitos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal. É exatamente o que o entrevistador quer escutar. Por que será que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar e até em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder.

A maioria dos modelos de gestão premia pessoas mal preparadas e criam pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento, de fato. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Não adianta assumir uma função para a qual não se está preparado.

Continuamos valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? Quem vai salvar o time? Quem vai salvar o casamento? Um herói não vai salvar nada! Temos de parar de procurar super-heróis. O super-herói não segura a onda de todos que se consideram um fracassado. Não somos super-heróis um dia nem super-fracassados no outro dia. Acertamos e erramos todos os dias, temos alegria e tristeza todos os dias. Não há nada de errado nisso.

Há mais de 10 anos, Roberto Shinyashiki já dizia que a crise é positiva se as pessoas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é de cada uma delas. Aceitar nossas angústias e inseguranças faz a vida fluir mais facilmente.

Como então as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência? Roberto Shinyashiki nos orienta que o primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas: a primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada, e a terceira é buscar segurança.

Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus, mas que a sociedade tem definido que é certo. São quatro as loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se cada pessoa não tivesse significado individual. A segunda loucura é que cada um tem de estar feliz todos os dias. A terceira é que se tem que comprar tudo o que puder. Por fim, a quarta loucura é ter de fazer as coisas do jeito certo. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.

Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento.

Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.

 


Jarib B D Fogaça| JARIB, GESTÃO

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